O Blog do Bárbaro!


CHANGE OF HEART

Bem!

Depois de doze meses no ar, eu resolvi fazer uma pequena redecoração, e procurei maior consistência, blogando apenas uma vez por semana, produzindo textos mais longos. Mas, quatorze meses desde que montei este blog "to speak my mind" eu acho que a febre, finalmente, passou.

Acho que há uma constante neste blog: sua falta de consistência. Quem entra aqui não sabe o que esperar. Até os comentários, que antes marcavam quatro, cinco por post, agora somam um por mês. Já estava pensando que preciso tratar de assuntos mais coesos, organizar o blog para que quem entre aqui saiba mais ou menos o que encontrar. Não pretendo montar um blog de jornalismo nem nada, mas notei nos blog que eu acesso que eles são sérios. Promovem discussões ou trazem notícias relevantes. Agora é minha vez de traçar esse mesmo caminho pretencioso.

A partir de hoje o Blog do Bárbaro não estará mais sitiado no UOL (a parte gráfica é muito fraca), irá para o Blogger. Não escreverei o que se passa na minha cabeça; vou direcionar meus esforços intelectuais para a divulgação do conhecimento e a desmistificação da ciência de um modo geral (o Bárbaro, não se esqueçam, é historiador). Este blog trará, semanalmente, notícias científicas, de astronomia a arqueologia. Também escreverei ensaios sobre a impressão humana do conhecimento, sobre tecnologia ou sobre lugares-comuns do pensamento. Falarei até de ficção científica (ninguém é de ferro); mas tudo no âmbito de um assunto: ciência, que é, literalmente, conhecimento humano.

E o blog deixará de ser "do Bárbaro". Ele se chamará "Crônicas da Ciência" para não perder o caráter bem-humorado e manter a referência, agora discreta, de minha paixão pelas histórias do bárbaro Conan e a relação com minha página de RPG, rock, humor e opiniões, A Página do Bárbaro (que está na fase anual de reformas).

Pois bem! O Blog do Bárbaro oficialmente deixa de receber atualizações. Ele se mudou para Crônicas da Ciência e está no endereço marcelodior.blogspot.com. Espero ver todos os meus amigos lá -- esta semana escrevi sobre as enganações nas gôndolas de supermercado.

Foi um prazer. Vejo você lá no Crônicas da Ciência!

Escrito por O Bárbaro às 11h54
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A CIÊNCIA COMO TAPA-BURACO

Em primeiro lugar peço desculpas por ter ficado dois fins-de-semana seguidos sem blogar. Ironicamente, agora com posts menos regulares, preciso de assuntos menos concisos. Pelos últimos vinte dias "deu branco". Mas agora o branco passou e já tenho outros dois temas para desenvoler para os próximos dois posts. A quem reclamou comigo da ausência de textos, mais uma vez minhas desculpas.


Existe um equívoco comum nas argumentações quando se acusa uma ciência (ou as ciências em geral) de tentarem substituir as superstições por explicações lógicas que não passariam de visão filosófica como de qualquer crença. Vou usar o exemplo da possessão demoníaca de um garoto de Washington DC (que inspirou o livro “Possessão”) que inspirou o filme “O Exorcista”. Vou ignorar as evidências de possessão que podem ser explicadas por comportamento deviante do garoto e me ater a um único ponto, que me permitirá explicar.

Tendo a presença da avó e da mãe (sem falar da própria criança) sua cama começa a chacoalhar e convulsionar. Todos no quarto escutam sons de tambores e vibrações. Vamos ignorar a possibilidade de um caminhão pesado passando pela rua (seria necessário verificar as câmeras dos semáforos, se houver, e os itinerários de todas as companhias de transporte que circularam pela área naquela noite) porque nenhuma das testemunhas se lembra de ter ouvido um caminhão do lado de fora da casa. Cientistas e também exorcistas são chamados; os primeiros analisam o quarto, excluem possibilidades de engodo e entrevistam as testemunhas separadamente e metodicamente analisam o quarto novamente — use sua imaginação. Eventualmente anotarão o resultado da investigação nos relatórios: “inconclusivo”.

O que é isso? Nada mais do que o óbvio, não foi possível encontrar uma explicação para o fenômeno (nem mesmo a de ardil). Aí a ciência se afasta, pois não há mais nada o que fazer — uma explicação razoável não pôde ser encontrada. Os exorcistas vão dizer que se trata de um demônio; espíritas poderão argumentar que era um espírito; umbandistas, um encosto. A ciência não poderá opinar, pois passa a ser uma questão de opinião (ou de fé). Um cientista, seja psicólogo, físico, bioquímico, médico, historiador ou espeleólogo sabe muito bem que, no ponto em que as teorias, experiências e observações não avançam, não se pode conjecturar. Ficar-se-á com o mistério... até que novas opções, técnicas ou teorias, permitam deitar-se novamente sobre o fenômeno. Se é que um dia haverá novas opções.

Não obstante, temos a impressão, talvez por causa do estereótipo dos garotinhos-cientistas dos desenhos animados das manhãs de sábado, que um cientista wannabe irá afirmar “isso é impossível! Tem que haver uma explicação racional! Essas coisas não existem!”. Alto lá. Isso não é ciência, é materialismo moderno. Essa maneira de pensar supõe que o mundo é bastante simples e que tudo o que sabemos compreende a totalidade do conhecimento possível, criando (em minha opinião) uma falsa idéia de que o mundo é controlável e que não há mistérios. Isso não é ciência — E esta não é minha opinião, são os ditames de cada ciência ensinada corretamente nas faculdades. Qualquer um que estudar seriamente ciências irá, através dela, perceber como o universo é vasto, absurdamente complexo e que ainda não sabemos quase nada sobre ele (às vezes sobre a própria química dentro de nossos corpos). “O mundo é um lugar misterioso, mas se tornaria pobre se descartássemos o que desconhecemos” falou num episódio da série JAG o personagem Cmd. Harmon Rabb, Jr..

Muito bem dito, se querem saber.



Escrito por O Bárbaro às 22h24
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DEMOCRACIA MORIBUNDA

Esta é uma carta enviada no começo da semana a um amigo, Jucemar da Silva Morais, logo depois de ler a matéria de capa da mesma semana da revista Veja. 

Quando a Veja deixou de ser assinada aqui, parei de lê-la, porque não sabia que algumas matérias podem ser gratuitamente acessadas na página da revista. E é sobre a matéria de capa (que você pode ler aqui: http://veja.abril.com.br/290306/p_050.html) que quero falar.
 
Interessei-me pelo texto porque a Luciana, que é petista (por pouco não de carteirinha) desde antes de começar a votar, há 14 anos, afirmou que, agora, depois de tudo o que ocorreu nos últimos meses, não dá para votar em absolutamente mais ninguém do PT, que finalmente o encanto se quebrou (com a única excessão do Suplicy, de quem eu também gosto; mas ando me decepcionando tanto com meus políticos de preferência que tenho medo de votar nele).
 
Então li a matéria e, olha, é verdade, o encanto se quebrou. Nunca fui petista, mas a sucessão aparentemente infinita de escândalos e impunidade dá a impressão e que estão todos rindo da nossa, da minha cara, apontando o dedo e gritando, sôfregos, entre lágrimas e convulsões de riso, "otário!". Mas mesmo para mim que nunca gostou muito da cara do PT, ver essas coisas é como se eu fosse uma criança que descobrisse que Papai Noel não existe, depois de anos de fantasia. Sim, é exatamente essa sensação.
 
As idéias de Raymundo Faoro ("Os donos do poder") parecem-me estranhamente proféticas agora. Nós, nação, nunca conseguimos organizar direito nosso sistema coletivo de governo após D. João VI, e os desmandos da República Velha e da ditadura fixaram a idéia, já quinhentista de que, como escreveu o Frei Vicente de Salvador, "verdadeiramente que nesta terra andam as coisas trocadas, porque toda ela não é república, sendo-o cada casa". Não entendemos o coletivo; o público é algo do qual podemos nos apropriar particularmente. Se é público então é porque não é de ninguém, e que se dane.
 
Que alternativa nós temos? O que faremos? Em quem votaremos? A política sempre teve sua lógica própria, desconectada da lógica normal. Um político pode ser "queimado" por uma acusação sem provas, porque depende de sua força política contra a força do acusador. Ao contrário, provas de infrações podem ser ignoradas, também dependendo da força do acusado e do acusador. Já reparou que quando o partido A acusa o partido B, este lança mão evidências de improbidade daquele subitamente? É como se fossem engavetadas para uso em momentos oportunos, e todos os partidos fazem isso, sempre, em qualquer democracia. Ao que parece, um certo nível de torção moral é necessária para a vida política. Não me lembro quem disse isso, mas o político, mesmo o que tem boas intensões ou é íntegro, é obrigado a "prostituir-se" para realizar sua função adequadamente. Em nosso país, não obstante, parece não haver essa fronteira de fazer um pouquinho errado, agir no limite da moral; só há o exagero, o descaradamente errado. Parecem crianças nossos políticos, que não conhecem os limites.
 
O que me leva a outra constatação funesta. Nossos representantes, sejam no legislativo, executivo ou judiciário, não são uma raça criada à parte para suas funções -- não vêm de outro planeta. Eles se originam da população; um político ou um jurista pode ser qualquer um, qualquer um de nós. Portanto, nossa própria moral, de nosso próprio povo, nós mesmos, somos corruptos e tortos. Se nossos políticos são devassos e ladrões nós mesmos o somos. O negrume, a podridão e a turpidez de nossos políticos representam o negrume, a podridão e a turpidez de cada um de nós. Então, não há boas pessoas, não há brasileiro capaz de se manter limpo enquanto pratica a vida política porque nenhum brasileiro o é antes de entrar nela.
 
Isso é muito, muito triste. Não há saída para nós. O Brasil nunca "irá para frente". Somos pouco melhores que as nações pobres da África negra, com seus senhores da guerra e sua população dizimada pela AIDS. Cada brasileiro nasce maculado, e intensifica sua sujeira moral na escola, na mesa de refeição familiar, nos programas de TV e no convívio cotidiano com colegas, amigos e tutores. Pareço apocalíptico e trágico, por certo. Mas como não o ser, depois da grande esperança, o praticamente milagre de um presidente operário, militante ascender ao poder, junto com seu partido de esquerda e se revelar pior do que tudo contra o qual bradaram e se afrontaram nos últimos trinta anos? "Hope is denial of reality" disse Raistlin Magere no romance de fantasia "Dragonlance Chronicles". Esperar que, depois de Lula, ainda haja por aí alguma esperança em algum futuro representante supostamente íntegro e com vontade (e força) política para limpar a casa e, indubitavelmente, negar a realidade. Porque seria negar a própria pobreza, financeira e moral do brasileiro, que parece um idiota -- Lula tem grande chance, nas pesquisas, de ser reeleito.
 
As únicas saídas, vejo eu, são: se matar; ou emigrar para um país devenvolvido, naturalizar-se e queimar o passaporte brasileiro. E, quando alguém perguntar, dizer "Brézil? Aquel paíis cuja cápitol é Buenos Aires, non?".


Escrito por O Bárbaro às 12h56
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EXEMPLO DE UMA CIÊNCIA ABERTA E CRÍTICA

O texto abaixo foi retirado do site SCICOP On-Line. A SCICOP é uma organização norte-americana fundada por cientistas em prol da divulgação do conhecimento científico e se dedica a investigar fenômenos paranormais e pseudo-científicos; o site se descreve melhor que eu, "CSICOP encoraja a investigação crítica de alegações paranormais e de teorias altamente hipotéticas a partir de um ponto de vista responsável e científico, e dissemina informação factual sobre os resultados de tais questionamentos à comunidade científica e ao público." O artigo "Science Looks for Bigfoot " demonstra muito bem o quão é difícil determinar a inexistência tanto quanto a existência de criaturas misteriosas, como o Pé-Grande (ou o Monstro do Lago Ness) e é um ótimo exemplo do quão calteloza e ao mesmo tempo mente-aberta a ciência séria pode ser. O texto original em inglês está disponível neste atalho.


Sugiro recostar-se confortavelmente em sua cadeira de computador para apreciar esse texto, que não ocupa mais de uma página impressa.

 

A ciência procura pelo Pé-Grande

Por Benjamin Radford para o portal CSICOP On-Line (www.csicop.org)

(Traduzido por Marcelo Duarte Ferrari)

 

O Pé-Grande tem estado ocupado ultimamente, em especial no Canadá. Em abril, um operador de balsa de Manitoba gravou em vídeo uma criatura grande, escura e indistinta movendo-se pela margem do rio. O que quer que seja — Pé-Grande, urso, bisão ou outra coisa — causou frisson e fez notícia internacionalmente.

Três meses depois, perto de Yukon, um morador de Teslin, Trent Smarch, encontrou um tufo de pêlo áspero e escuro na floresta onde ele e outros locais avistaram um animal grande e misterioso nos arbustos. Eles acreditam que a criatura era um Sasquatch, a versão canadense do mistério humanóide grande e peludo conhecido como Pé-Grande. A descoberta se espalhou por toda a América do Norte e pelo mundo, e muitos se esse pêlo pode finalmente provar a existência há muito discutida do Pé-Grande. A amostra de pêlo foi enviada ao geneticista da vida selvagem, David Coltman, da Universidade de Alberta, para análise. A Coltman foi solicitado extrair ADN disponível no pêlo, seqüenciar os genes mitocondriais e compará-los com a base de dados das criaturas conhecidas na região.

Em 28 de julho, depois de uma semana de testes, os resultados foram anunciados. Mais sobre isso depois; agora falemos dos antecedentes na busca por evidência do Pé-Grande. O Pé-Grande estourou publicamente em 1959, com a publicação de um artigo de revista descrevendo a descoberta de pegadas grandes e emblemáticas no ano anterior, em Bluff Creek, Califórnia. Meio século mais tarde, a questão da existência do Pé-Grande continua em aberto. O Pé-Grande ainda é procurado, com a busca mantida viva por um fluxo constante de avistamentos, fotos e pegadas ocasionais e cobertura esporádica da mídia. De longe, o Pé-Grande é mantido por testemunhas e anedotas, mas esta última é a forma de evidência menos confiável. — e virtualmente sem valor da perspectiva científica. O que a ciência precisa para validar a existência do Pé-Grande é evidência sólida: um espécime vivo ou morto, ossos, dentes, sangue ou pêlos. Por falta de evidência consistente  — nada de ossos ou corpos encontrados — a análise de Coltman é há muito esperada.

A amostra de Yukon não é o primeiro pêlo de Pé-Grande a ser analisada. Através das últimas décadas, dúzias de amostras de sangue e pêlos foram recuperadas de supostos encontros com o Pé-Grande. (Um exemplo: em 2000, um grupo de pesquisadores do Pé-Grande  encontraram o que eles interpretaram como sendo a impressão corpórea na lama perto do Monte Adams, no Estado de Washington. Apesar de cinco anos de estudos e da promessa de supostas análises de pêlos, saliva e fezes, nenhuma evidência conclusiva emergiu da descoberta.) Quando uma conclusão definitiva era alcançada, as amostras foram invariavelmente identificadas como sendo de fontes triviais — “Pêlo de Pé-Grande” mostrou-se sendo de Alce, urso ou vaca, por exemplo; “Sangue de Pé-Grande” revelou-se como fluído de transmissão. No livro Pegadas de Pé-Grande (“Big Footprints” no original), o conhecido pesquisador Grover Krantz discute tal evidência: “O destino corriqueiro desses itens é não receber estudo científico ou, quando recebe, tal estudo é perdido ou inalcançável. Na maioria dos casos em que análises competentes foram feitas, o material se mostrou falso ou de origem indeterminada”.

É importante entender a ciência por trás da análise de pêlos: um resultado “desconhecido” ou “inconcludente” não necessariamente quer dizer que a amostra veio do Pé-Grande. Tudo o que significam é que a amostra não corresponde a qualquer outra amostra com a qual foi comparada. Por esse motivo, uma peruca, fibra de carpete, ou mesmo pêlo de um animal alheio à região (como o canguru ou o camelo) que se alega ser do Pé-Grande provavelmente serão descritas como “desconhecido”. Isso também destaca o problema metodológico básico que assola toda pesquisa sobre o Pé-Grande: a falta de uma medida padrão. Sabemos como rastro de urso se parece; se encontrarmos rastros que suspeitamos ser de um urso, podemos compará-los com um sabidamente deixado por um urso. Mas não há espécimes de Pé-Grande incontestáveis com as quais podemos comparar novas evidências.

É por isso que evidências como a do pêlo de Yukon são cruciais para provar a existência do Pé-Grande. Numa entrevista coletiva, Coltman revelou os resultados da análise do ADN. O pêlo de Pé-Grande combina 100% com o de bisão. Bisões são encontrados na região e parece provável que as expectativas e percepções dos habitantes locais foram influenciados pelo avistamento de Manitoba três meses antes.

O resultado de ADN não irá, claro, deter os crentes e testemunhas oculares do Pé-Grande. Mas isso não fornece um exemplo ideal do que ocorre quando evidências decisivas de um mistério são sujeitas ao rigor da ciência. Esse ostensivo exame do pêlo de Pé-Grande por um cientista de reputação também recebe críticas comumente ouvidas pelos entusiastas de monstros: que cientistas predominantes ignoram evidências do Pé-Grande por medo de danificar suas reputações na busca pelo que alguns chamariam de mito. Ainda que o Pé-Grande ou outras criaturas lendárias existam de fato, eles certamente valem sério escrutínio científico. Ao mesmo tempo, já que todas as amostras prévias se mostraram ser travessuras, inconcludentes ou de origem desconhecida, a falta de entusiasmo dos cientistas em perder tempo e recursos em mais evidência do tipo é compreensível.

No período de seis meses, um suposto Pé-Grande canadense foi filmado e outro deixou pêlo para trás. Nada de novo foi acrescentado pelo vídeo de Manitoba — ainda é uma mancha não identificável, possivelmente um dos muitos grandes animais da região — e o pêlo de Yukon foi identificado como sendo de bisão. O mistério continua, e a busca persiste.



Escrito por O Bárbaro às 15h43
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REFORMULAÇÃO

Por mais que este blog seja um tanto quanto pouco divulgado (e, porque não dizer, impopular) eu resolvi reformulá-lo.

O Blog do Bárbaro surgiu para que eu pudesse colocar minhas idéias, muitas vezes bestas, à disponibilidade de quem quisesse lê-las, ao invés de ficarem guardadas na minha cabeça ou enviadas para uns poucos e-mails. Mas 54 semanas já se passaram e eu acho que um pouco de consistência é bem-vinda e, talvez, necessária. Com isso em mente, começarei a postar menos, mas mais regularmente, e textos maiores. Às vezes vou traduzir um artigo que li em revistas ou portais estrangeiros, às vezes vou copiar a idéia de alguém (dando os devidos créditos, claro). E ver no que dá.

Portanto, esperem um texto ou pensamento todo fim-de-semana, geralmente na sexta-feira ou no sábado. Mesmo que dê um branco, vou postar alguma coisa aqui.



Escrito por O Bárbaro às 20h58
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VEM AÍ MAIS UM FILME RUIM

Caramba, estou a muito tempo sem escrever aqui. Ando lendo como um maníaco, aproveitando esses meses de ócio empregatício para ler tudo o que sempre quis mas não tinha tempo nos últimos quatro anos. Entre leituras boas, ruins e péssimas, acho melhor arranjar mais tempo para postar aqui no blog. As pouquíssimas pessoas que vêm aqui precisam de um pouco mais de respeito.

ULTRA VIOLET: Vem aí mais um filme ruim

Atenção, pessoal. Já está para sair, em algum ponto deste ano, um filme chamado Ultra Violet que fará Madrugada dos Mortos e Missão Impossível II parecerem ganhadores do Oscar. Mas... se eu nem vi o filme, como é que eu já posso estar a malhá-lo? Sigam comigo:

  1. Mila Jovovic é a personagem-título.
  2. O diretor é Kurt Wimmer, um roteirista que escreveu porcarias como Esfera (1998) e Equilibrium (2002), mas também roteiros razoáveis, como Thomas Crown: A arte do crime (1999) e O Novato (2003). É importante notar que só dirigiu outros dois filmes, sendo um deles a bela bosta do Equilibrium e o outro, um policial de 1995 que tem MC Hammer no elenco.
  3. O tema, mais original, impossível: num futuro apocalíptico (oh!) uma praga viral assola a humanidade (ooohhh!). Violet é uma super-humana (OOHH!) que precisa proteger uma criança portadora da cura (OOOOHHH!) contra gente mal-intensionada que gosta do mundo daquele jeito(OOOOOOOOOOOOOHHHHHHHHHH!).
  4. O sub-plot é que esse vírus transforma as pessoas em vampiros. VAM-PI-ROS. Alguém aqui já viu algum bom filme de vampiros? Alguém? (Anjos da Noite é uma feliz excessão e Entrevista com o Vampiro é filme/livro de veado, beleza?)

Antigamente os filmes ruins eram baratos e filmados em duas semanas. Hoje temos superproduções multimilhonárias que não passam de um coquetel exuberante de computação gráfica, traseiros e peitos e muito, mas muito barulho (como se quanto mais alto o som do filme, melhor ele ficasse). Alone in the Dark (2005) do retardado do Uwe Boll é o fundo do poço, mas ele fez escola e levou um grupo de Hollywood com muito dinheiro mas nenhum talento a achar que orçamentos de seis dígitos compensam pela total falta de roteiro, direção e atuação.

Ao que me parece, Ultra Violet será daqueles filmes que todo mundo verá no cinema só para falar mal, alugar o DVD depois e se juntar na sala com vários amigos e malhar initerruptamente o filme. Muitos até comprarão o DVD, para poderem escarneá-lo sempre que quiserem. Talvez até vire um cult. E provavelmente terá umas quatro continuações.



Escrito por O Bárbaro às 11h31
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UNESP PERDE A PACIÊNCIA COM O PCO

Adorei. Amei. Pau no ** deles. Notícia enviada pelo amigo Jucemar Morais, do portal Consultor Jurídico.

Causa perdida
Juiz proíbe entrada de militantes do PCO na Unesp

por Maurício Cardoso

A Justiça de Araraquara concedeu interdito proibitório à Unesp contra militantes do Partido da Causa Operária. Os seguidores do PCO que não forem alunos da Universidade Estadual de São Paulo estão proibidos de promover manifestações políticas no campus da universidade em Araraquara.

A decisão é do juiz da 2ª Vara Cível da cidade do interior de São Paulo, que estabeleceu multa de R$ 5 mil para cada caso de desobediência da ordem.

O PCO é um partido de extrema esquerda, de inclinação trotskista. Seus seguidores consideram de direita o radical PSTU, e classificam como burguês o Psol, da aguerrida senadora Heloisa Helena. Com atuação restrita ao movimento estudantil, o partido vive seus 15 minutos de fama a cada dois anos na campanha eleitoral gratuita pela televisão.

A guerra entre o PCO e a Universidade Estadual de São Paulo foi deflagrada em meados do ano passado, por ocasião das eleições de delegados do Centro Acadêmico da Faculdade de Ciências e Letras, do campus de Araraquara, para o congresso do DCE da Unesp.

Na época, a Aliança da Juventude Revolucionária, o braço estudantil do PCO, organizou uma chapa para concorrer. Como nenhuma outra chapa se apresentou, a AJR disputou como chapa única, e perdeu, já que não conseguiu o quorum de eleitores necessários para eleger seus representantes.

Durante a tumultuada campanha, o PCO importou uma tropa de choque de outros estados para fazer a campanha na Faculdade de Ciências e Letras de Araraquara. Confrontos entre as várias correntes políticas acabaram no Distrito Policial e lá estão registrados em diversos boletins de ocorrência.

Diante desses fatos, a Universidade formou uma comissão de sindicância para investigar as ocorrências. Ao fim do processo administrativo, a comissão concluiu que as estudantes Aline Toledo, 19 anos, e Cíntia Bossolani, 21, ambas alunas do curso de Ciências Sociais e filiadas ao PCO, exorbitaram de seus direitos e foram responsáveis pelos tumultos. A comissão sugeriu a instauração de processo administrativo e recomendou a suspensão das alunas.

Desde então, militantes do PCO estranhos à Unesp têm promovido manifestações ruidosas no campus, com o uso de megafones e bumbos. Segundo o assessor jurídico da universidade, Geraldo Magela Pessoa Tardelli, os militantes estariam abordando com rispidez estudantes e professores. A situação se agravou nos dias de matrícula no início de fevereiro, quando os militantes intensificaram sua campanha junto aos calouros.

Para resguardar a integridade física de estudantes, professores e funcionários e preservar as condições de funcionamento do campus, a reitoria da Universidade entrou com o pedido de interdito proibitório. Na manhã desta segunda-feira (6/3) oficiais de Justiça receberam os PCOistas na entrada do campus e impediram sua entrada. Eram facilmente identificados porque todos usavam camisetas vermelhas. Não houve resistência.

Segundo o advogado da Universidade, a medida não visa a impedir manifestação política ou a censura prévia, mas apenas evitar tumultos. Ele esclarece também que nenhum aluno da Unesp está impedido de entrar no campus. Os agitadores do PCO, em sua grande maioria, são pessoas estranhas ao campus universitário. Como diz a ação de interdito proibitório, “não se discute o direito do PCO fazer campanha em favor das alunas seja na página eletrônica, panfletagens. etc. Isso está dentro do exercício do direito constitucional de livre expressão. Contudo, não tem o PCO o direito de trazer para o Campus da UNESP de Araraquara militantes que não guardam relacionamento de qualquer ordem com a Universidade, com megafones, gritarias e tumultos para impedir o normal funcionamento das atividades escolares da autora”.

Em seu site na internet, o PCO promove uma campanha contra o que chama de “expulsões na Unesp”. Além das duas estudantes — que segundo destaca o advogado da Unesp, não correm risco de expulsão — o partido defende a causa de sete estudantes do campus da Universidade em Franca, expulsos no ano passado. Durante visita do reitor ao campus, os sete defecaram, urinaram e vomitaram em sua presença. Era um ato de protesto. Seguidores de um grupo anarquista auto-denominado “Terrorismo Poético”, os sete ex-alunos não têm laços com o PCO, que no entanto assumiu suas dores. O caso está na Justiça, que até agora manteve a decisão da universidade.

Para ler a matéria na página original, assim como a íntegra da Ação de Interdito Proibitório, acesse este atalho.



Escrito por O Bárbaro às 20h31
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A RESPOSTA DO UOL

Mandei aquele e-mail de SPAM do qual eu falei ontem para o UOL, que me requitou o cabeçalho completo da mensagem. Enviei e recebi a resposta hoje. Segue:

Prezado Marcelo,

Esclarecemos que esta mensagem não partiu do UOL e possivelmente se trata de um vírus.

O provedor já está tomando as providências necessárias e sugere que mantenha softwares de proteção atualizados em seu computador. Caso seja solicitado algum tipo de download ou instalação de programa através da mensagem em questão, o mesmo não deverá ser efetuado. 

Salientamos que o UOL possui canal destinado à segurança de seus usuários. Para obter maiores informações, acesse http://seguranca.uol.com.br . 

Atenciosamente,

Rodrigo dos Santos
Central de Relacionamento UOL - http://www.uol.com.br/central


Escrito por O Bárbaro às 20h24
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INACREDITÁVEL

Durante anos eu recebi SPAM no meu e-mail secundário, do Yahoo. Esse serviço de webmail tem um sistema de anti-SPAM que vai "aprendendo" à medida que o usuário lhe diz o que é SPAM quando chega um em sua caixa postal. Em sua grande maioria, os SPAMs que ainda recebo são de cartões virtuais. Por causa disso, pedi para meus amigos me avisarem ao enviarem cartão virtual para mim, para que eu não os confundisse com SPAMs -- se não conheço o endereço, o nome do destinatário ou o título do e-mail é estranho, aperto o botão SPAM mesmo, sem dó. Antes perder um e-mail verdadeiro que ter o PC bichado (ou pior, ler um e-mail de propaganda).

Recentemente o UOL liberou e-mail gratuito para quem quisesse. Nem preciso dizer que dois dias depois já tinha SPAM com o e-mail do UOL na minha caixa de correios do Yahoo. Na caixa de correio do UOL, nada, porque o anti-SPAM do UOL é pior que o Joseph Mengele. Mas então, há alguns meses, começaram a aparecer no meu endereço do Yahoo cartões virtuais do UOL -- ou muito parecidos. Avisei a todos os meus amigos para tomarem cuidado, olharem bem como é um cartão verdadeiro do UOL (entrando em http://cartoes.uol.com.br/ e enviando um para si mesmo para conferir seu padrão). Até agora, os endereços distinguiam-se do original (uolcartoes@uol.com.br) por algum detalhe. Às vezes o rementente era cartoesuol@, às vezes era uol_cartões@ e por aí vai, com poucas diferenças. Até que aparedeu um na minha inexpugnável caixa de correio do UOL.

O diabo do cartão tinha o endereçamento correto. Mas eu desconfiei porque não conheço ninguém no endereço ana_mary@hotmail.com -- e o cartão estava completo na mensagem (uso a caixa de correio do Netscape, que permite ver o e-mail numa janela embutida antes de, de fato, abri-lo). Entrei no UOL Cartões e me enviei um cartão com o mesmo remetente e mensagem ("Falta você!!!!", que eloqüente). Quando chegou o cartão verdadeiro, vi que o primeiro estava todo errado. Absolutamente fora do padrão do UOL, que nem te mostra o cartão antes de você acessar o link adequado. O título, completamente diferente. (Posso estar dando a dica aos spammers aqui, hein? Que cocô...)

Não sei como foi que o maldito desgraçado fez isso, mas ele conseguiu reproduzir e usar o endereço do UOL Cartões. Não faço idéia de para onde iria se abrisse o e-mail, nem se ele realmente iria explodir na minha cara. Mas não vou correr risco algum. Mandei o cartão para o SAC do UOL.

Fica aqui o aviso e a sugestão: esqueçam cartões virtuais. Não abram ao receber; não enviem. Um belo cartão comprado na papelaria (ou mesmo um aerograma dos Correios) custa só alguns centavos, é muito mais elegante e seu destinatário irá lembrar de você com carinho, sabendo que há muito menos SPAM via correio que via e-mail.



Escrito por O Bárbaro às 07h21
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MEUS COMENTÁRIOS... esqueci uma coisa

Acabaram ficando dois posts com elogios e dois com críticas ao livro "O Código DaVinci".

Este aqui é a parte do texto que me escqueci completamente de acrescentar no post de ontem. Mas são apenas dois detalhes, dois errinhos na obra que percebi. Podem haver mais. O primeiro é a afirmação que a pirâmide do Louvre tem 666 painéis de vidro. De acordo com o site GlassOnWeb, são 673 painéis, sendo 603 em forma de diamante e 70 triangulares.

Até aí tudo bem, ora, é uma obra de ficção, e se no mundo em que se passa o livro a pirâmide de vidro do Louvre tem 666 painéis, paciência. Em Jornada nas Estreles, o ano de 1996 foi marcado pelo início das Guerras Eugênicas. Só que... ao contrário de tantos outros autores, que avisam que sua obra é uma obra de ficção, Dan Brown colocou nas primeiras páginas do livro, o seguinte texto, sob o título "Fatos": Todas as descrições de obras de arte, arquitetura, documentos e rituais secretos neste romance correspondem rigorosamente à realidade. Mentirinha, né Dan?

E tem mais. Em dado momento (va lá, não marquei a maldita página) o livro afirma que DeGaule foi o primeiro chefe de Estado a decorar Paris com artefatos egípsios. Só que nosso conhecido Napoleão Bonaparte, mais de um século antes, meteu bem no meio da Place de la Concorde (onde ficava a guilhotina) um dos obeliscos que margeavam a entrada do templo de Amon em Luxor, egito. Quem der uma passada por lá (no Egito) notará a interessante falta de um obelisco à esquerda.



Escrito por O Bárbaro às 08h25
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MEUS COMENTÁRIOS SOBRE "O CÓDIGO DaVINCI", DE DAN BROWN - parte 3

Os dois últimos posts compreendem minhas opiniões originais formuladas durante e logo após a leitura do livro. Agora vou escrever conclusões extras que obtive (ou concordei) ao conversar dois amigos que também leram “O Código DaVinci” e são bem chatos ao analisarem um livro.

 

Dan Brown livrou discaradamente a cara da Igreja Católica na trama. Ele nem procurou disfarçar. Se ele fez isso porque é um devoto fervoroso ou se é um covarde que não agüentaria uma briga, se deu mal, pois o Vaticano “desrecomendou” seu livro assim mesmo. Eu afirmei que gostei de não haver nenhum vilão no sentido comum da palavra, mas isso parece também ser um certo ato de covardia de Brown, porque, ao fim e ao cabo, todo mundo tinha razão e ninguém era realmente mau. A premissa da pessoa que mais próximo chega de um vilão para a história (o Mestre) é chega a ser ridícula -- ele queria destruir o Priorado por ciúmes.

 

Outro problema é que Dan Brown tenta, mas ainda não é um Michael Crichton. O último terço do livro é incrivelmente enfadonho. Parece uma novela de TV que é esticada porque está dando ibope. O autor enrola, fica puxando ao máximo a história, mas nada acontece. Nada. Durante esses períodos nos livros de literatura de ação que costumo ler, muita coisa é descoberta, muita informação nova é dada ao leitor, mas em “O Código DaVinci” não há nada de novo. Os personagens ficam correndo para lá e para cá, fugindo de assassinos incompetentes e igualmente enrolados, e vai dando uma raiva do livro, uma vontade de que acabe logo para não precisar mais lê-lo. Essa, eu acho, é uma grande falha no estilo de Dan Brown, ao menos para “O Código...” -- quem souber se ele faz isso nos outros livros, por favor opine. “Grande falha” porque ela ocorre no fim da obra, baixando a opinião geral do livro todo. É como um excelente jogo de videogame que tem um final mal-feito. Teoricamente a qualidade da partícula final não deveria baixar muito (ou quase nada) a nota do negócio tanto quanto um único ponto ruim no meio. Mas o final é crucial para a opinião geral de um livro, tanto quanto é para a de um filme, um jogo ou de uma piada. E a enrolação enervante Brown estragou um bocado “O Código...”.

 

De tudo por tudo, não é um livro ruim. Achei-o bom. Se você também, e nunca leu Michael Crichton, Tom Clancy ou Robin Cook, recomendo começar por “Congo”, “Risco Calculado” e “Caçada ao Outubro Vermelho”. Tenho o palpite de que você terá um orgasmo literário ao lê-los. E talvez sua opinião sobre Dan Brown irá baixar um pouco.



Escrito por O Bárbaro às 15h12
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MEUS COMENTÁRIOS SOBRE "O CÓDIGO DaVINCI", DE DAN BROWN - parte 2

[continuação de domingo]
       Outro ponto negativo do livro é irritante mania do autor de ficar tempo demais na cabeça dos personagens. Depois de 132 páginas os protagonistas ainda estão literalmente no mesmo lugar em que o livro começou, o Museu do Louvre. Parece até que estou lendo Duna! No entanto, depois de um começo letárgico, a história se desenvolve muito bem e, apesar de toda a ação transcorrer-se em uma única noite (o livro começa pouco antes da meia-noite e acaba na manhã seguinte), a jornada filosófica e virtual dentro e através do mistério torna-se empolgante. Tirando-se umas duas ou três cenas de atitude frente ao cano de uma arma que mais parecem concebidas por John Woo, eu comprei o desenvolver da história totalmente.
     Dentro do universo do livro é razoável que toda figura inteligente da história seja maçom, templário, pagão ou conspirador, e que toda e cada uma das referências iconográficas do ocidente represente o Santo Graal, falos ou o “sagrado feminino”, mas isso atinge um certo excesso. Ao final do livro eu já estava de saco cheio de lâminas, cálices, rosas e vênuses.
     Algo engraçado: os surtos adrenalínicos. Alguns personagens podiam sentir a adrenalina percorrendo suas veias ou “picando” seus músculos. Coisa que esperaria das Bene Gesserit, as jedi de Duna. (Seria Dan Brown fã de Frank Herbert?)
     Mas esses são meros detalhes. Pequenas manchas na pintura, nada realmente comprometedor. No geral, gostei muito do livro. Interessante, instigante, com personagens convincentes e, em especial, maturidade — nada daquela divisão pueril entre pessoas boas e puras, de um lado, e lordes da maldade, do outro. Mesmo não havendo nenhum aprofundamento nesse ponto (os dilemas morais ou as atitudes ambíguas dos heróis são profundas como um pires) um ponto muito positivo é a tridimencionalidade dos adversários — assim chamados aqui porque, ao fim e ao cabo, não há vilão algum.
     Pode até parecer, pelo estardalhaço geral, que o livro é forte e profundo. Nem uma coisa, nem outra. Se você realmente deseja uma obra que lide com temas controversos, que arrisque mudar seu modo de pensar, leia Joyce, ou Camus, ou mesmo Aasimov. O Código DaVinci é um livro ideal para a minha tia: entulhado de informações inúteis, permitirá que o consumidor de classe média, pseudo-culto, sinta-se um erudito em conversas de jantares ou papos de escritório (“você sabia que o termo ‘vilão’ se origina...” “Que interessante escolha. Essa rosa sobre o triângulo é um símbolo para...” “Ah, mas na verdade, a cor vermelha é uma metáfora medieval para...”). O tema escandaloso só serviu mesmo para atiçar minha curiosidade. O gibi Bruxaria, o videogame Gabriel Knight III ou o filme Stigmata são muito mais controversos em seus temas, imagens ou conclusões. Dan Brown não fez, na minha opinião, um livro impactante. O que produziu foi um thriller atraente, prontinho para virar filme, com o tema com o qual gosta de trabalhar (no caso, enigmas e puzzles). Apreciei e me diverti razoavelmente lendo-o. Mas não vou sair correndo atrás de obras de Dan Brown. Não o achei um gênio irresistível da literatura. Michael Crichton tem o exato mesmo estilo e já está por aí desde 1969.
     Leia O Código DaVinci. Se gostar, tente Michael Crichton e Robin Cook. A quantidade de thrillers desses dois autores é interminável e, diferentemente de Tom Clancy e John Grisham (e Dan Brown), não repetem o mesmo tema ad infinitum.

[parte final em depois do Carnaval...]



Escrito por O Bárbaro às 00h44
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MEUS COMENTÁRIOS SOBRE "O CÓDIGO DaVINCI", DE DAN BROWN

     Terminei O Código DaVinci há umas duas semanas. Minhas palavras de imediato são: é bom! Numa escala de 1 a 10, sendo 1 O Primo Basílio e 10 O Senhor dos Anéis, dou a esse livro de Dan Brown nota 8. Agora vou a alguns comentários sobre o livro:
     A literatura norte-americana me parece toda igual. O interessante é que sempre a vejo com essa distinção, “literatura norte-americana”. Isso porque me deparei com ela surpreendentemente tarde. Durante a presente parte transcorrida da minha vida, li (voluntária ou involuntariamente), basicamente, literatura européia. Mika Waltari e Charles Dickens na infância; Arthur Conan Doyle na adolescência; J.R.R. Tolkien na fase adulta. De fato, o primeiro livro que li por vontade própria (em oposição a terem me enfiado goela abaixo nos colégios) foi um número da série literária alemã de ficção científica Perry Rhodan. Meu contato com literatura norte-americana era eventual e inconstante: um Anne Rice aqui, um Hemingway ali... foi apenas com a Luciana que fui irradiado pelo interesse na literatura norte-americana de ação (como a chamo).
     Aqui vale um interregno. Estou excluindo a literatura brasileira da conversa porque a única que me interessa na verdade não é em estilo nacional; ao contrário, bebe de fontes estrangeiras. Paulo Coelho é francês; Malba Tahan é espanhol; André Vianco é norte-americano. A literatura tupiniquim me foi empurrada como um remédio amargo, cedo demais, e hoje tremo só de pensar em Raquel de Queiroz, Monteiro Lobato ou José de Alencar.
     Nos últimos cinco anos passei a incluir no meu cardápio literário John Grisham, Robin Cook, Tom Clancy, Michael Crichton, Frank Herbert e L. Ron Hubbard. Ando gostando muito do que leio. Pode ser ficção científica, fantasia heróica ou technothrillers, eu os chamo a todos de “literatura de ação”. Todos esses autores parecem compartilhar do mesmo estilo “roteiro de Hollywood”. Aí se inclui, invariavelmente, O Código DaVinci.
       Do começo do livro até mais ou menos a metade, os personagens me pareceram pouco convincentes. É como se eles fossem fantoches e não pessoas de verdade. Suas falas e os diálogos, artificiais, forçados — como se escritos por George Lucas. Dava vontade de dizer “quem é que fala assim?!”. Não obstante, com o desenvolver da história, é como se o autor ficasse mais à vontade e os diálogos tornam-se críveis, reais.

[continua em dois dias...]



Escrito por O Bárbaro às 23h35
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TREKKIE DISFARÇADO EM CONVENSÃO DE STAR WARS

TrekkieSW

Um fã de Jornada nas Estrelas disfarçadamente parcitipando de uma convensão de Star Wars.´

[se a foto não aparecer, clique neste atalho]

Agradecimentos a Joelson, da lista Frota Estela Brasil do Yahhoo!Grupos.



Escrito por O Bárbaro às 20h26
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FINALMENTE! HARRY POTTER

Seis anos atrasado, comecei a ler Harry Potter e a Pedra Filosofal. Depois de tantos anos longe da literatura inglesa, sinto-me como que de volta ao lar depois de uma longa jornada. Como eu sentia saudades daquele jeito (inglês?) de escrever! E, caramba, como estou gostando do livro. Maldição que não tenha lido antes dos filmes. Mara mim, ver o filme primeiro invariavelmente estraga o clima do livro, que é muito mais longo, detalhado e rico. Acho que é porque considero uma obra literária a "mídia principal"... sei lá. Gosto de adaptações cinematográficas, mas nunca se consegue (ou ao menos eu nunca vi) transpor tudo de um livro -- o que é ótimo, se não os cinemas estariam cheios de filmes com nove horas de duração.

Não estou lendo, estou devorando Harry Potter. Mal consigo tirar o livro das mãos para vir escrever isto aqui.

Escrito por O Bárbaro às 19h04
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